Reprodução Assistida - A medicina do futuro e a psicanálise

REPRODUÇÃO ASSISTIDA – A MEDICINA DO FUTURO E A PSICANÁLISE 21/10/2019

Não nascemos mais como antigamente. Doação de gametas, barriga de aluguel, clonagem, criopreservação, mapeamento do genoma, entre outras técnicas e procedimentos, ampliaram as possibilidades de reprodução a níveis inimagináveis e para além da nossa capacidade de representar tais eventos.  Hoje podemos mais do que queremos. O que significa ser pai ou mãe de uma criança que não carrega seu material genético? O que significa ser pai ou mãe de uma criança que não foi concebida no corpo da mãe? O que representa o fato de passar pelo ventre de outra mulher para gestar uma criança? Que efeitos produzem a criopreservação de óvulos, espermatozóides e embriões ao curto-circuitarem os tempos de concepção, gestação e nascimento? Até onde ir diante das possibilidades vertiginosas de produzir geneticamente uma criança sob-medida?  Novas questões se apresentam e colocam em xeque as fantasias e desejos das pessoas que buscam por estas técnicas.

O avanço tecnológico, ao contrário do que nos levaria a pensar, – que a reprodução está cada vez menos humana -, exigirá escolha e responsabilidade daqueles que se colocam no exercício de transmissão geracional da vida implicada no desejo.  A psicanálise tem uma importante contribuição no debate das questões éticas e na reflexão diante das escolhas subjetivas daqueles que desejam ter um filho.

O objetivo deste Sábado no IPLA é discutir como o avanço da biotecnologia e das técnicas de reprodução assistida impactam as pessoas que buscam a clínica psicanalítica, bem como esta responde a estes impactos. Para isso, partiremos da discussão proposta pelo psicanalista suíço François Ansermet em seu livro La fabrication des enfants: un vertige technologique e as reflexões de Jorge Forbes em tempos de TERRADOIS, onde “do nascimento à morte, vivemos o maior tsunami que já se abateu sobre o laço social humano, nesses últimos 2500 anos, tempo dos registros racionais. Necessitamos de uma clínica psicanalítica que mostre, elucide, convide à fantástica experiência de estabelecer novas formas de viver e se relacionar, tanto no nível do indivíduo, como das instituições”Convite à ética do desejo e à responsabilidade.

PROGRAMA

Abertura: Jorge Forbes

Aula 1 – “A ciência pede análise.”  Clovis Pinto de Castro 
A relação entre psicanálise e ciência em Freud e Lacan. O Real da psicanálise e o real da ciência. A ética singular da psicanálise e a ética universal da ciência. Os desdobramentos da medicina de precisão na clínica psicanalítica.

Aula 2 – Hoje, o oráculo é genético? – Manuela Ferreira
Disjunção entre sexualidade e reprodução.  Reprodução e gestação. Origem e morte. Transmissão genética e filiação. Reprodução assistida e predição. As predições estatísticas não excluem o risco e a decisão subjetiva. O periquito do realejo virou Genoma?  Além do determinismo, o acaso, a surpresa e a escolha responsável pela invenção da vida.

Aula 3 – “Você sofre para não sofrer?” – Liége Lise e Teresa Genesini
“O lugar da psicanálise na medicina”. O impacto subjetivo de um diagnóstico. Determinação biológica X subjetividade. Além do gozo do trágico. “Somos todos adotados”. O algoritmo Invenção e Responsabilidade. Os bisturis da clínica do Real. Apresentação de paciente. Discussão de Caso Clínico.

Mesa de especialistas Jorge Forbes, Mayana Zatz e Bianca Bianco