Sábados no IPLA - Abril/2015

Sábados no IPLA: 25/04/2015 25/04/2015

Chaves de leitura para O Seminário 10
A angústia, de Jacques Lacan

Um aperto no peito. Mal-estar sem saber de onde vem. Quem nunca sentiu? É uma angústia…

Jacques Lacan dedica o Seminário de 1962-1963 à angústia. Toma a experiência analítica como referência essencial. “A angústia é um afeto”. Distingue-se do sentimento por não mentir, enquanto que quem sente, mente (senti ment). “A angústia é isto que não engana”.

Não é uma emoção, é um afeto. O afeto não é recalcado. Os significantes que o amarram é que são recalcados. No Seminário X A Angústia, Lacan desenvolve uma práxis baseada no desejo (erotologia que se

contrapõe à psicologia) e no afeto – angústia.

A angústia não é sem objeto. Se em Freud (1926) – Inibição, sintoma e angústia – a angústia se dava pela falta do objeto, em Lacan se dá pela presença, o objeto a, reserva de gozo e causa do desejo, que tem-se que suportar. Não se trata do objeto visado, mas do objeto causa do desejo.

François Leguil afirma que “O único remédio contra a angústia é o desejo, pois só o desejo, na medida em que ele introduz a falta, pode acalmar as relações do sujeito com o surgimento do objeto”. A psicanálise não exclui, mas encampa a angústia. Ela possibilita o circuito da palavra com o corpo. Palavra que não passa pelo sentido, mas que ressoa, toca o corpo. Lacan considera a angústia como signo do desejo e índice do real – não é considerada uma emoção, mas, como mencionado, um afeto que não engana. O corpo é afetado. “A angústia é a verdade da sexualidade.”  

A angústia lacaniana é uma angústia produtora – produz o objeto-causa. É o motor da análise e cabe ao analista manejar sua rotação. “O analista é um radar de angústia”, diz Forbes. Com efeito, Lacan a toma como termômetro a ser utilizado pelos psicanalistas: “Sentir o que o sujeito pode suportar de angústia os põe à prova a todo instante.” (Lacan, 2005, p. 13) A angústia é um parâmetro da direção do tratamento. A experiência analítica é minha referência essencial. ( idem, p. 25) O Seminário X, de Lacan, mantém sua atualidade em relação ao desbussolamento do homem contemporâneo. Viver no mundo globalizado é saber viver com a angústia. Passa-se a uma clínica além da castração, uma clínica voltada a suportar a qualidade, o melhor de mim, que não pode se inscrever na civilização, já que esta pasteuriza. Uma clínica sem necessidade da compreensão (Forbes, 2005). Ao não revestir a perda e promover a invenção, a psicanálise é constitutiva de uma ética para nosso tempo.

Programa

9h00 – 9h30: Café com bolo IPLA 

9h30 – 10h30: Aula Inaugural O Seminário 10 de Jacques Lacan – Claudia Riolfi
Apresentação do Seminário 10 A angústia. A angústia, sinal do real. A superação da angústia pelo amor. Aforismos sobre o amor. A angústia é o meio termo entre o desejo e o gozo. Só o amor permite ao gozo condescender ao desejo. Amor-sublimação. O amor é a sublimação do desejo. A mulher supera a angústia por amor.

10h30 – 11h30: Aula 2 Inibição, Sintoma e Angústia – Alain Mouzat
“O viajante surpreendido pela noite pode cantar alto no escuro para negar seus próprios temores; mas, apesar de tudo isto, não enxergará mais que um palmo adiante do nariz.” (Freud). O estranho, Unheimlich. Inibição. Impedimento. Embaraço. Triebregung

11h30 – 12h00: Café com bolo IPLA 

12h00 – 13h00: Aula 3 Angústia: um parâmetro da direção do tratamento  – Teresa Genesini
A angústia não é sem objeto. Sentir o que o sujeito pode suportar de angústia. A angústia surge quando a falta falta. O que se teme é o sucesso? Angústia produtiva.

13h00 – 15h00: Horário de Almoço

15h00 – 16h00: Aula 4 A relação da angústia com o desejo do Outro – Dorothee Rüdiger
O gozo do Outro. A demanda do Outro. Desejo que se manifesta na interpretação. Desejo do analista. Che vuoi. Que quer ele de mim? “A angústia é isto que não engana”. Pontuações sobre o desejo. 

16h00 – 17h00: Aula de Encerramento A função do objeto na experiência analítica – Liége Lise
O amor, véu da angústia. Significante inominável. O falo não está implicado como significante, mas como órgão. O resto não especular e não imaginado do corpo. Erotologia. O amor real presente na transferência. As cinco formas do objeto pequeno a.

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