Sábados no IPLA - Setembro/2017

Sábados no IPLA: 23/09/2017 23/09/2017

Corpo e Responsabilidade na Clínica do Real
Versão pocket
  

A psicanálise nasceu de uma pesquisa do corpo. Sigmund Freud estudava as lesões neuroanatômicas advindas das alterações psíquicas quando se deparou com o fato de que a anatomia dessas alterações não correspondia à anatomia biológica. Verificou que há dois corpos. Um corpo biológico e um corpo sensível, psicanalítico. Heidegger chama atenção que em alemão temos duas palavras para designar o corpo: Körper (corpo material) e Leib (corpo sensível). Coloca a questão sobre o limite do corpo. Em termos do corpo biológico, o limite é a pele, mas do corpo sensível, o limite fica mais afastado.

O corpo em psicanálise vai além dos limites do corpo biológico. É fácil notar como nos embaralhamos com o nosso próprio corpo.

A distinção entre Körper e Leib é ainda mais evidente em nossos dias. A manipulação que fazemos de nossos corpos são bom exemplo: preenchimentos com silicone, tatuagens, corpo bombado.

A pesquisa de Sigmund Freud, que preferiu estudar o corpo – Leib, foi continuada por Jacques Lacan, para quem o corpo resiste a catalogações universais. Trata-se para ele de um corpo que implica responsabilidade sexual, um corpo que não se presta ao sentido, mas que ressoa. É a responsabilidade pelo inconsciente, pelo excesso, pela singularidade.

Neste Sábados no IPLA, versão pocket, de 23 de setembro, estas e outras questões serão discutidas em três aulas

Programa

9h – 9h30 Café com bolo IPLA 

9h30 – 10h30   O corpo de Freud a Lacan – Alain Mouzat

Sintoma em Freud. O corpo da histérica. Passagem do corpo biológico (Körper) para o corpo erógeno Leib). Do sintoma ao Sinthoma, em Lacan. Pulsão de morte e silêncio do real. O inconsciente considerado, não do ponto de vista da cadeia significante, mas da pulsão. Ressoar. A palavra que antes dizia, hoje, toca (Jorge Forbes).

10h30 – 11h30  – O corpo na economia do gozo e a clínica do Real – Dorothee Rüdiger 

A imagem que temos do nosso corpo não corresponde ao corpo biológico, pois é medida pelo gozo. (Forbes). Há um gozo destrutivo. A palavra está curto-circuitada. Pensar com os pés. Furo. Não há clínica sem ética. A clínica com portadores de doenças genéticas. O que faz acordo entre o corpo e a linguagem. Conclusão precipitada … porque é no corpo. Mais forte que eu.

11h30 – 12h00 Café com bolo IPLA

12h00 – 13h00  – O corpo do analista e o caso clínico – Liége Lise

A psicanálise só se transmite encarnada (na carne). O analista não é acomodativo, mas incomodativo. A presença do analista . Savoir-y-faire. Por de si e acessar o Real. Da palavra ao gesto. Monstração. O analista e o ator. A inscrição do ridículo. Analista cidadão. O que esperar de um analista? Caso clínico.

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